sábado, 4 de janeiro de 2014

O sebo das laranjas

E lá vou eu de novo, viajar 30 anos no tempo pro verão de 1984. Nos Estados Unidos a novidade era o lançamento do Macintosh da Apple; aqui o sonho de consumo da molecada era o Atari 2600 (que havia surgido nos EUA em 1976!!!)


eu como não podia ter um video game, tinha que me contentar em jogar fliperama e ler gibis, o que era uma tarefa árdua, uma vez que minha mesada limitava consideravelmente a quantidade de fichas que eu poderia jogar e eu já tinha lido todos os gibis, que pra mim se limitavam única e exclusivamente, ao que se vendia nas poucas bancas de Volta Redonda. Porém mais uma novidade revolucionária estava prestes a acontecer naquele janeiro. Na esquina de uma rua que beirava a linha férrea de VR, eu descobri o primeiro sebo da minha vida! Se é que se podia chamar aquilo de sebo, pois era um terreno onde um velhinho vendia laranjas, as quais ele descascava na hora, com uma máquina à manivela, que fazia com que todo o lugar  tivesse um cheiro cítrico. Lá, ele colocava bancas de madeira, cobertas por um teto de zinco, onde se expunha os gibis. Qual não foi minha alegria, ao me deparar com revistas da RGE, Bloch, Ebal e da Marvel/Abril que eu acabara de começar a coleção.
Era muito difícil encontrar algo realmente raro por lá mas o bom velhinho aceitava trocar duas revistas minhas por uma dele; nessa troquei todos meus gibis da Mônica/Luluzinha por Marvel/DC.
Lá fiz novas amizades ( eu achava que era o único maluco que guardava os gibis depois de serem lidos ) e ampliei meus horizontes quadrinhófilos. 



Até hoje, ao sentir cheiro de laranja, me lembro da madeleine de Proust, pois viajo no tempo, revivo minha infância e penso em gibis.

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